“Uso de telemedicina é um dos legados que a pandemia vai nos deixar”, revela o médico Lior Baruch no CQCS Innovation Latam

24/07/2020 / FONTE: CQCS Innovation

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Na segunda etapa do CQCS Innovation Latam, realizado nesta quinta-feira (23), o médico Lior Baruch, que atua no setor de seguros, administrando redes de assistência médica na América Latina e Caribe, abriu o painel “O impacto da pandemia no mercado de seguro saúde”, e fez observações importantes sobre o seguro saúde em meio a pandemia do Coronavírus.

Baruch possui amplo conhecimento e engajamento em cenários complexos de gerenciamento de casos, bem como na prestação de assistência médica orientada à qualidade e segurança do paciente. Além da atuação no setor de seguros, é cirurgião geral e de trauma, com vasta experiência no serviço de atendimento móvel de urgência na cidade de São Paulo, além de também ter lecionado os estudantes de medicina e residentes como professor convidado na Escola Paulista de Medicina, universidade na qual se formou. Lior Baruch também possui MBA em Sistemas de Saúde e Gestão Hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas.

O médico iniciou sua apresentação agradecendo pela oportunidade de participar do evento, com uma citação de Martin Luther King: “Não somos nós que fazemos a história, nós fazemos parte da história”.

“Uma doença que já levou mais de meio milhão de pessoas não pode ser vista como uma lição que não aprendemos na história”, começou Baruch, que relembrou alguns fatos históricos, como pandemias que aconteceram no passado. “Posso citar várias pandemias. A mais antiga, durante a guerra do Peloponeso, onde dois terços da população de Atenas morreu. Suspeita-se que a pandemia foi um dos fatores que fez com que os Espartanos ganhassem a guerra”, revelou.

“Em 1350 tivemos a segunda onda da peste bubônica, uma doença que passou da Ásia para Europa e eliminou quase que metade da população europeia, mudando drasticamente a história desse continente. A quarentena foi uma das medidas efetivas adotadas, às quais ajudaram a acabar com a pandemia. Na América Latina, tivemos doenças infecciosas que dizimaram populações. A varíola, coincidente dizimou a população asteca em 80%”, explicou. “Depois, tivemos a gripe espanhola, a mais mortal na história recente, temos um número de 500 milhões de infectados e 50 milhões de mortos”, disse. “Um cenário bem semelhante ao que estamos vivendo hoje do ponto de vista de pandemia, mas não de números absolutos”, completou Baruch.

“As pessoas eram incentivadas a usar máscaras. Depois, começaram a usar de forma errada ou qualquer outra coisa pra cobrir o rosto. Começamos a viver a propagação de medida de isolamento social pela imprensa, hospitais de campanha, estamos falando de 1918, mas é muito parecido com 2020”, pontuou.

“Como era a nossa vida antes do coronavírus em 2019?”, questionou Baruch. “últimos detalhes sobre a saída do Reino Unido da União Européia, guerra comercial entre Estados Unidos e a China, queimadas na Amazônia, aquilo era uma ‘vida normal’, até que o coronavírus foi aparecebdo. Uma doença muito contagiosa, e cheia de informações desencontradas”, afirmou o médico.

Lior exibiu indicadores para mostrar como os Estados Unidos gasta com saúde em relação a União Européia e outros países da América Latina. “O cenário de saúde nos Estados Unidos não é o ideal, é exorbitantemente caro. Só para vocês terem uma ideia, 20% dos americanos hoje estão com boletos atrasados referentes a despesas médicas, além da fatia que não tem cobertura de seguro saúde apesar da reforma. O Starbucks, por exemplo, atualmente, gasta mais em saúde do que em grãos de café. A grande jogada quando comparado com a América Latina é o acesso. Mesmo que falho, ter acesso a um cobertura de saúde pública implica em ter um porto seguro. É a diferença entre algo e nada. Se você mora em algum país da América Latina, você conhece. O sistema público de saúde geralmente está superlotado, e é o pior cenário possível para uma pandemia”, revelou.

Baruch apresentou também o ranking de taxa de mortalidade da América Latina relacionado ao Coronavirus, com o Peru em primeiro lugar; Chile em segundo; Brasil em terceiro e o Equador ocupando a quarta colocação.

“Agora, vamos pensar nos casos bem sucedidos. Uruguai, com a quarentena obrigatória. Houversm também políticas muito favoráveis e bem elaboradas de distanciamento social. Paraguai, apesar do alto nível de pobreza, aplicou medidas muito rígidas de saúde pública que fizeram efeito. Costa Rica, com sistema de saúde público e universal cobrindo 95% da sua população, mobilizou as instituições para responderem a pandemia de maneira coesa e colaborativa, o que ajudou a uniformizar a mensagem para a população”, contou.

“No panorama de Seguros privados de saúde, vimos medidas interessantes em vários países. A expansão da telemedicina por exemplo. O México é um ótimo exemplo, uma empresa muito grande de Seguros começou a oferecer a telemedicina não só para os clientes de seguro saúde, mas também para os clientes de seguro de automóveis. Um dos legados positivos desta pandemia vai ser o uso de telemedicina”, acrescentou.

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