Seguro de vida é opção para complementar aposentadoria

09/12/2019 / FONTE: O Globo

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Produto permite engordar pensão para dependentes e dá segurança em casos de afastamento do trabalho ou invalidez

RIO – A reforma da Previdência reduziu o valor da pensão por morte, que poderá recuar a até 60%. Há ainda o fim do seguro DPVAT, criado para indenizar vítimas de acidentes de trânsito. Essas mudanças tornam cada vez mais necessário assegurar uma proteção financeira para imprevistos, alertam especialistas. E o seguro de vida é uma opção.

O publicitário William Santos, de 30 anos, decidiu contratar, há um ano, um seguro de vida. Ele já separa parte de seus rendimentos e investe em títulos públicos com o objetivo de complementar a aposentadoria, mas sentia falta de um investimento que pudesse dar suporte em alguma situação inesperada.

— Sempre fui muito preocupado com o futuro, por isso tenho o hábito de poupar há bastante tempo. Analisando meu planejamento financeiro, senti falta de um produto que me protegesse financeiramente caso algo grave acontecesse comigo — conta o publicitário. — Decidi contratar um seguro que cubra, além da parte funerária, acidentes pessoais e doenças graves.

De janeiro a outubro deste ano, em relação ao mesmo período de 2018, a contratação de seguros de pessoas (que englobam auxílio funeral, acidentes pessoais, doenças graves, entre outros) aumentou 12,6%, segundo levantamento da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

 Nesse mercado, cada um pode escolher a cobertura que mais combina com seu perfil e suas necessidades. Os especialistas ressaltam que cada caso deve ser avaliado individualmente.
— Uma pessoa com 21 anos, em tese, não tem as mesmas obrigações e preocupações que alguém de 35. De toda forma, o seguro é importante para qualquer faixa de idade — diz Aura Rebelo, vice-presidente de Marketing da Prudential.
Simulação de gasto mensal 

Design sem nome (8)

Pensão temporária

 A fim de determinar quais coberturas devem ser contratadas, é preciso avaliar tanto as necessidades individuais quanto as do ambiente familiar. Por exemplo, o número de filhos, se eles estão em idade escolar ou não, se o contratante do seguro é responsável pelo sustento do lar, entre outras variáveis.

 — O seguro tem duas funções básicas. A primeira é proteger, em vida, o segurado de acidentes e imprevistos, como a incapacidade de exercer as funções no trabalho. A outra é permitir que a família se reestruture após a perda de alguém próximo e que também sustenta o lar — explica Bruno Kelly, professor da Escola de Negócios e Seguros (ENS).
Outra modalidade disponível no mercado é a proteção familiar. Neste caso, em caso de morte do beneficiário, cônjuge e filhos podem contar com uma pensão mensal temporária.
— O mercado oferece várias opções de cobertura. Existe seguro de pessoas que protege o segurado em caso de desemprego. Também existe a proteção familiar, que deixa uma pensão temporária para os beneficiários em caso de morte do segurado — ressalta Kelly.
Em uma simulação feita pela Prudential, uma jovem de 21 anos que contratasse um seguro temporário (quando o cliente pode resgatar parte do seguro, caso o sinistro não seja acionado) de dez anos, no valor de R$ 250 mil, com cobertura para acidentes, doenças graves, auxílio-funeral e diárias de hospital, teria de pagar R$ 173 por mês.
No caso de uma pessoa de 35 anos, com família já constituída, o cenário é diferente. Neste caso, considera-se o seguro vitalício, aquele em que os dependentes (filhos e cônjuge) recebem o valor segurado quando o titular da apólice morre. Estão ainda incluídas coberturas contra acidentes e invalidez. Com um valor de R$ 350 mil, a parcela mensal ficaria em R$ 1,3 mil.

— Atualmente, aproximadamente 25% da cobertura dos seguros de pessoas são usadas pelo beneficiário em vida. As pessoas estão percebendo a importância de ter um recurso ao qual podem recorrer em um momento de dificuldade, como o afastamento ou a impossibilidade de voltar ao trabalho, ou uma internação — diz Luciana Bastos, diretora de produtos de vida da Icatu Seguros.

 Diante de um cenário de mudanças na economia e de maior preocupação com o futuro, tanto individual como da família, a tendência para o mercado de seguros é de crescimento.
— Os seguros de pessoas certamente tendem a avançar bastante nos próximos anos. As seguradoras estão cada vez mais atentas às necessidades dos clientes e buscam desenvolver produtos adequados às mais variadas situações — explica Aura.
Luciana, da Icatu, também aposta em um avanço robusto dos seguros:
— A economia do país dá sinais de melhora. Este fator, junto com uma maior preocupação com segurança familiar, pode fazer com que o mercado de seguro de vida avance de forma robusta no próximo ano. Nossa expectativa é que o setor cresça na faixa de 12% em 2020.
Parte do planejamento

Embora exista uma série de produtos financeiros voltados para o longo prazo, sejam conservadores ou de risco, o seguro de vida é um produto diferenciado que deve ser incluído no planejamento, destaca Myrian Lund, especialista em finanças e professora da FGV.

— Seguro é um complemento do planejamento familiar. Não temos como avaliar ou prever um acidente, por isso é necessário um produto que cubra situações inesperadas — explica Myrian. — É importante levar em conta o que realmente vai fazer diferença na vida do segurado para definir as coberturas necessárias.

 Ela ressalta ainda a importância de fazer uma cotação entre várias seguradoras:
— Em alguns casos, o valor chega a ser o dobro.
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