Notícias | 22 de janeiro de 2021 | Fonte: CQCS

Projetos podem afetar e mudar o setor de seguros

Ainda no início da pandemia, em maio do ano passado, a CNseg promoveu evento em que foi debatida – e criticada – a excessiva interferência do Legislativo no mercado. Naquela oportunidade, foi revelado que mais de 4,8 mil projetos de lei com reflexos no setor estavam tramitando no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais. Desde então, esse número não para de crescer, principalmente em razão de propostas que atingem a saúde suplementar, contendo dispositivos que criam novas coberturas obrigatórias, tratam da devolução de parte do prêmio e vedam a negativa de atendimento em diferentes casos.

Um rápido levantamento feito pelo CQCS indica que, entre maio e dezembro de 2020, apenas na Câmara dos Deputados, foram apresentadas cerca de 180 propostas que afetam direta ou indiretamente o setor.

Isso significa, portanto, que, hoje, há mais de 5 mil projetos de lei que podem mudar as regras no mercado de seguros a qualquer momento.

Não por acaso, em junho do ano passado, relatório de monitoramento do mercado divulgado pela Willis Towers Watson, alertou para o risco de as seguradoras “terem de arcar com custos adicionais em função de projetos de lei prevendo a cobertura de eventos expressamente excluídos”.

Esses dados preocupam o presidente da CNseg, Márcio Coriolano, que, desde aquela época, alerta para as possíveis consequências dessa interferência do Legislativo, afetando principalmente a estabilidade financeira do mercado. “Querer que as seguradoras cubram coberturas excluídas em contratos, retroativamente, é colocar em risco a solvência do setor”, exemplificou Coriolano, no evento realizado pela entidade.

O setor de saúde suplementar é o mais afetado. Atualmente, a estimativa é a de que mais de 1,1 mil projetos afetem o setor. Executivos do setor alertam que esse risco acabará afetando também o consumidor, uma vez que mudanças na legislação podem provocar ajustes nos preços da cobertura.

Veja, abaixo, alguns dos projetos de lei mais impactantes noticiados pelo CQCS nos últimos meses e que podem mudar as regras no setor:

RESOLUÇÃO 382/20: Em setembro, o deputado Lucas Vergilio (SD/GO) apresentou projeto de Decreto Legislativo que susta os efeitos de dois dispositivos da Resolução 382/20 do CNSP: o art. 4º, § 1º, inciso IV, que obriga o corretor de seguros a informar ao segurado, antes da assinatura da proposta, o montante de sua remuneração pela intermediação do contrato; e o art. 9º, o qual cria a figura do “cliente oculto”.

Segundo o deputado, essa resolução, publicada no dia 10 de março, na prática, regulamenta matérias que “estão fora do espectro de competência normativa-executiva do CNSP”.

DEVOLUÇÃO: O deputado Glaustin da Fokus (PSC-GO) apresentou, em setembro, um projeto de lei que obriga as seguradoras a devolverem aos segurados, em razão da pandemia de Covid-19, parte dos prêmios de seguros de automóveis pagos.

Segundo o parlamentar, a medida é justa em razão da “considerável diminuição dos riscos dos contratos em virtude da pandemia”.

GARANTIA. Em dezembro, o Senado aprovou projeto que irá substituir a Lei Geral de Licitações, matéria que já havia sido aprovada na Câmara.

Neste caso, o resultado da votação foi elogiado pela superintendente da autarquia, Solange Vieira, para quem o novo marco regulatório é de extrema relevância para o setor de infraestrutura brasileiro e para o desenvolvimento do país, que “poderá contar com o suporte do setor de seguros nas grandes obras do país”.

APLICATIVOS: Em novembro, o deputado Márcio Jerry (PcdoB/MA) apresentou projeto de lei que obriga as empresas de aplicativos de entrega a contratar, em benefício dos entregadores a elas vinculados, seguros de vida e de danos ou roubo do veículo usado para a entrega, sem qualquer ônus para o motorista.

ACADEMIAS: Também em novembro, o deputado Nereu Crispim (PSL/RS) apresentou projeto de lei que prevê a cobertura de atendimento das academias de ginástica ou de qualquer atividade física particulares pelos seguros ou planos privados de assistência à saúde. A proposta altera a Lei 9.656/98, que disciplina o oferecimento de planos e seguros privados de assistência à saúde.

ESTACIONAMENTOS: Já em dezembro, o deputado Juninho do Pneu (DEM/RJ) apresentou projeto de lei que institui a obrigatoriedade de contratação de seguro em estacionamentos e garagens de estabelecimentos comerciais contra roubo, furto e danos aos veículos automotores neles mantidos ou guardados.

BENEFICIÁRIOS. No início de dezembro, foi apresentado projeto de lei de autoria do deputado Rubens Bueno (Cidadania-PR) estabelece prazo de 30 dias para, em caso de morte do segurado, as seguradoras informarem os beneficiários, por escrito, da existência do seguro e do seu direito às importâncias devidas. Esse prazo começa a contar após a data do conhecimento da morte.

A proposta regulamenta a divulgação de informações pelas seguradoras para assegurar que os herdeiros e beneficiários de um segurado falecido tenham acesso às apólices que lhes beneficiem.

SAÚDE. Em agosto, o deputado Renildo Calheiros (PCdoB/PE) apresentou projeto de lei que assegura atendimento, sem exigência de cumprimento de carência, aos beneficiários de planos privados e seguros saúde.

De acordo com as proposta, todos esses beneficiários terão direito ao atendimento de urgência ou emergência, sem cumprimento de carência, quando houver suspeita ou confirmação de Covid-19.

INADIMPLÊNCIA: Em maio, o Senado aprovou projeto de lei que proíbe a operadora de planos de saúde ou seguradoras que comercializam seguros de vida de suspenderem ou cancelarem os contratos por falta de pagamento durante a emergência de saúde pública provocada pelo novo coronavírus.

De acordo com o texto aprovado, após o fim do período de calamidade pública, operadoras e seguradoras, antes de procederem a suspensão ou o cancelamento do contrato em razão da inadimplência, deverão possibilitar “o parcelamento do débito pelo consumidor.”

VACINAS: Em janeiro de 2020, antes do início da pandemia, o deputado Coronel Tadeu (PSL/SP) apresentou projeto de lei que obriga os planos e seguros privados a incluírem a vacinação nos planos ou seguros-referência.

De acordo com a proposta, se aprovada, a lei deverá entrar em vigor 180 dias após sua publicação.

O autor do projeto argumenta que a ação de vacinar as pessoas contra agravos tem sido uma das armas mais importantes para reduzir a mortalidade infantil, diminuir a incidência de doenças graves em idosos e proporcionar melhor qualidade de vida para a população.

______________________________________________________________________________________

Venha debater esse assunto no  Bom Dia Seguro, o maior grupo no WhatsAPP exclusivo para Profissionais de Seguros de todo Brasil.

Realize o seu cadastro através do link e venha compartilhar conhecimento: http://cqcs.com.br/cadastre-se/ Caso você já seja cadastrado no CQCS, envie um Fale Conosco solicitando participar do grupo. Link: http://cqcs.com.br/fale-conosco/

2 comentários

  1. JOSE GARCIA DE OLIVEIRA JUNIOR

    24 de janeiro de 2021 às 11:10

    Você precisa estar logado para ler o comentário.

  2. Antonio Medeiros - Nossaseg

    22 de janeiro de 2021 às 9:32

    Você precisa estar logado para ler o comentário.

FAÇA UM COMENTÁRIO

Esta é uma área exclusiva para membros da comunidade

Faça login para interagir ou crie agora sua conta e faça parte.

FAÇA PARTE AGORA FAZER LOGIN

Valorizamos sua privacidade

O CQCS utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência, personalizar conteúdos e analisar o nosso tráfego. Ao continuar navegando, você concorda com o uso dessas tecnologias, de acordo com a nossa Política de Privacidade.

Personalizar preferências de consentimento

NecessárioSempre ativo

Estes cookies são essenciais para o funcionamento adequado do site, garantindo recursos básicos de segurança e acessibilidade. Eles não armazenam nenhuma informação pessoal identificável.

Funcional

Permitem que o site lembre das suas escolhas e forneça funcionalidades aprimoradas e personalizadas, como compartilhamento em redes sociais e integração de recursos de terceiros.

Sem cookies para exibir.

Analítico

Ajudam a entender como os visitantes interagem com o site, coletando e relatando informações de forma anônima. Fornecem dados sobre número de visitantes, tempo na página e fontes de tráfego.

Desempenho

Utilizados para compreender e analisar os principais índices de desempenho do site, ajudando a proporcionar uma experiência de navegação otimizada para os usuários.

Sem cookies para exibir.

Anúncio

Usados para fornecer anúncios mais relevantes aos visitantes com base em suas navegações anteriores, além de ajudar a medir a eficácia das campanhas publicitárias.

Sem cookies para exibir.