Pandemia provoca volatilidade sobre as seguradoras

04/08/2020 / FONTE: Jornal Contábil

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A Covid-19 tem afetado o mercado de várias maneiras. Além de impactos relacionados a clientes, colaboradores e operações, a volatilidade provoca implicações diretas nas seguradoras.

O crescimento no risco de crédito de diversas entidades indica um aumento de preocupação relacionado à inadimplência.

As implicações nos passivos de seguros podem variar, dependendo das coberturas fornecidas pela seguradora e das políticas contábeis aplicadas.

Em geral, o comportamento dos segurados pode mudar em função dos impactos da pandemia e medidas governamentais e regulatórias para diminuir a propagação da pandemia podem reduzir as atividades de vendas e impactar a receita de prêmio de seguro.

Medidas como postergação para pagamento dos prêmios, não cancelamento do contrato de seguro durante o período da pandemia, suspensão da cobrança de coparticipação podem impactar as premissas sobre os fluxos de recebimento dos prêmios de seguro, a frequência e a severidade dos sinistros ou a maneira como os dados históricos, por exemplo, a sinistralidade histórica, pode ser utilizada para estimar os sinistros futuros.

Além disso, os desafios operacionais causados pelas medidas de distanciamento social podem afetar o processo de regulação de sinistros bem como os padrões de desenvolvimento dos sinistros.

Nesse cenário, é importante também avaliar o que divulgar. As seguradoras devem comunicar premissas e análises de sensibilidades relativas à mensuração dos passivos de seguros.

Isso pode envolver a explicação do impacto dos riscos da pandemia no negócio, como os dados atuais têm sido alterados, a variação das premissas para considerar o risco da pandemia e como esses riscos são gerenciados.

Essas divulgações também devem incluir considerações sobre concentrações de risco, tabelas de desenvolvimento de sinistros e riscos de crédito, mercado e liquidez.

Para carteiras de investimentos, as seguradoras devem divulgar natureza e extensão dos riscos decorrentes de instrumentos financeiros e como esses riscos são gerenciados.

Finalmente, há algumas ações relevantes que devem ser executadas pela administração:

Avaliar implicações específicas em estimativas e premissas na mensuração de passivos, sinistros e ativos

Confirmar que o teste de adequação de passivo seja baseado em estimativas atuais dos fluxos de caixa futuros.

Avaliar se um declínio significativo ou prolongado no valor justo ocorreu em investimentos patrimoniais disponíveis para venda.

Avaliar eventos que afetem fluxos de caixa futuros de investimentos em título de dívida e se perdas por redução ao valor recuperável devem ser reconhecidas.

Considerar expandir as divulgações sobre gerenciamento de riscos, estimativas de mercado, análises de sensibilidade, fontes de incerteza, riscos de crédito e liquidez.

Considerar divulgações de gerenciamento de capital, especialmente se houver preocupações sobre a posição em relação a requisitos regulatórios ou implicações em covenants de passivos financeiro

Por Érika Ramos é sócia-líder do segmento de Seguros da KPMG no Brasil.

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