Notícias | 11 de setembro de 2020 | Fonte: Gaucha ZH

Pandemia faz setor de seguros arrecadar R$ 5,5 bilhões a menos no primeiro semestre

Queda é de 4,34% no Brasil e de 3,7% no RS; maior queda é nas apólices de automóveis

pandemia atingiu em cheio um dos setores que movimenta bilhões de reais por ano no país. As seguradoras registraram queda de 4,34% na arrecadação nos seis primeiros meses de 2020 em relação ao mesmo período do ano passado. Movimentaram um total de R$ 121,28 bilhões, R$ 5,50 bilhões a menos que em 2019.

No primeiro trimestre, quando o coronavírus ainda não tinha provocado reflexos na economia, houve crescimento de 7,8%. Já o segundo trimestre sofreu impacto forte do distanciamento social, levando à redução de 13,8% na arrecadação do setor. Os dados constam em levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

Um dos carros-chefe do setor, o seguro de automóveis teve queda de 5,88% no período, com total arrecadado de R$ 1,62 bilhão. O presidente da CNseg, Marcio Coriolano, projeta, no entanto, recuperação desse tipo de apólice.

— Não é como se cinco meses de uma pandemia fosse transformar uma geração. Desculpe, mas eu acho que não é assim. Há cinco meses só se falava que o carro iria sumir. O automóvel vai ser um fator de proteção. Todo mundo vai querer o seu carrinho. Pelo menos num primeiro momento até o trauma da pandemia passar, as pessoas vão querer se proteger – acredita o dirigente.

Coriolano chama a atenção para o desempenho de seguros que, embora com peso menor nos negócios, tiveram altas expressivas no resultado acumulado em seis meses, como o Rural (25,2%) e o de Responsabilidade Civil (19,8%), por exemplo.

— O Brasil vai bombar nessa área da agroindústria. Talvez compense muito o que outros setores não podem dar. Então abrem-se muitas oportunidades para esses seguros – projeta.

O crescimento do seguro de vida chama atenção — foi de 9,77% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2019. Na média móvel de 12 meses – de melhor análise para a tendência das vendas – a inclusão do resultado de junho mantém o viés de desaceleração dos negócios, segundo Coriolano, esperado pelo setor.

Estiagem impulsiona seguro rural no RS

No Rio Grande do Sul, a queda de arrecadação do setor de seguros também aconteceu, mas ficou um pouco menor do que a média nacional, – 3,7%. As seguradoras movimentaram no Estado R$ 8,67 bilhões. Entre os destaques positivos estão os seguros Rural (+16,6%), de Responsabilidade Civil (+14,2%), Habitacional (+10,4%) e Crédito e Garantia (+8,2%).

Para o presidente do Sindicato das Seguradoras do Rio Grande do Sul (Sindiseg-RS) e diretor territorial da Mapfre, Guilherme Bini, os eventos climáticos ajudaram nessa procura pelo seguro rural.

— Tivemos uma quebra de safra de 45% em decorrência da estiagem. Só a Emater realizou oito mil laudos para cobertura do seguro Proagro. Essa quebra vai impactar nos próximos três anos nos protutores rurais – projeta Bini.

Segundo o dirigente, a média de apenas 15% das propriedades rurais seguradas abre caminho para o crescimento ainda maior desse tipo de apólice.

— Nós temos 85% para trabalhar. Precisamos muito do trabalho dos corretores. E hoje já vemos outras seguradoras entrando nesse mercado vendo justamente essa oportunidade – destaca.

Apesar do pequeno crescimento de 0,3%, Bini vê oportunidade também no seguro de vida.

— Em uma pesquisa recente que fizemos com o Google, a palavra seguro de pessoa teve aumento na pesquisa de 19%. Já a palavra seguro de automóvel ficou estabilizada ou teve decréscimo nas pesquisas. O que isso nos mostra? Que precisou ter uma pandemia para as pessoas se preocuparem com a contratação de seguro de vida — avalia.

Novos produtos para atrair clientes

Sabendo das dificuldades do mercado, em razão da queda do poder aquisitivo da população, o presidente do Sindiseg-RS diz que seguradoras já estão alterando alguns de seus produtos para torná-los mais atrativos.

— Vejo muitas seguradoras hoje incluindo o serviço de telemedicina dentro das suas apólices de seguro de vida individual. Isso é um grande diferencial, porque nós podemos ter uma queda no seguro saúde.

De acordo com Bini, pagando R$ 49,90 num seguro de vida mensal, o consumidor poderá ter assistência para fazer uma tele-consulta com valores que variam de R$ 50 a R$ 60.

Ernesto Lorenzoni é superintendente comercial da GPS Logística, especializada em seguro de cargas. Diz que o segmento foi duramente afetado durante a pandemia, em razão redução da demanda, mesmo estando entre os serviçosessenciais que não pararam.

— Nós tivemos um decréscimo de 30 a 35% do faturamento. Por outro lado, tivemos um aumento de alguns outros produtos que nós operamos, que são seguros de frota, pessoais e de responsabilidade civil, de uma forma geral – relata o executivo ao classificar 2020 como um ano de travessia:

— Vamos ter que cruzar esse ano de uma forma bem estruturada, bem pensada para que a gente não tenha nenhum prejuízo maior do que já tivemos até agora.

Queda no preço do seguro

O valor do seguro tem uma série de variáveis,  como local da contratação, perfil do contratante e sinistralidade. Cada seguradora define como aplicar o preço. Por isso, não existe um levantamento estatístico para saber se o valor ficou mais alto, mais baixo ou estável. GaúchaZH perguntou ao presidente do Sindiseg-RS Guilherme Bini como foi o comportamento dos preços durante a pandemia. Segundo ele, os valores de renovações caíram.

— Na média, ele (cliente) pagou mais barato. As seguradoras concederam um desconto sobre o prêmio pago no ano passado. Em descontos que variaram de 5 a 10% — conta Bini.

Em relação aos contratos novos, em média, também houve queda, segundo ele.

Fazendo a ligação entre as seguradoras e os clientes na ponta, os corretores também perceberam esse movimento de preços. O presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Rio Grande do Sul (Sincor-RS) e vice-presidente da Regional Sul da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), Ricardo Pansera, lembra que a redução do uso dos veículos na pandemia e, por consequência, da sinistralidade, foram alguns dos fatores que provocaram a queda nos preços.

— O mercado vai se acomodando. Como ele é livre, as seguradoras vão disputando seu espeço e vão reduzindo preços. Na grande maioria dos seguros de automóvel houve uma redução — relata.

Manter ou suspender seguro durante a pandemia?

Em um momento que exige cuidado redobrado com as finanças, o educador financeiro e especialista em investimentos da Severo Educação Financeira Adriano Severo diz que é preciso analisar o que se espera da apólice contratada.

— Aquela pessoa que está mantendo o isolamento social, está trabalhando em casa e não está utilizando seu veículo, ela pode, neste momento, não fazer a renovação, caso tenha vencido recentemente. Poderá esperar renovar quando for voltar a utilizar seu veículo — destaca Severo, ao lembrar da importância de guardar o bem em um lugar seguro.

Já em relação ao seguro residencial, por exemplo, sugere que seja mantido.

— A ideia é estar precavido. Se algo acontecer, a gente não vai precisar ter um grande gasto financeiro. Então, se isso acontecer e a pessoa já tiver cancelado o seguro, a situação financeira que já está delicada, vai ficar muito pior.

Economista da Prevconsulting Investimentos, Gustavo Penna Gorskidiz que numa época como essa, a percepção de risco das pessoas para algumas situações pode aumentar e fazer com que a procura por determinados seguros siga nesse caminho. Mas pondera:

— A restrição orçamentária cresceu muito. Então, ao mesmo tempo que tem o crescimento de uma demanda por seguros, principalmente pelo aumento da incerteza, a gente tem por outro lado o aperto orçamentário — destaca Gorski, ao dizer que cada pessoa precisa avaliar muito bem seus ganhos e perdas financeiros na pandemia para avaliar a necessidade de manter ou suspender um seguro.

O comerciante Sérgio Régis dos Santos Teixeira, de 63 anos, possui seguros de seus imóveis e dos veículos da família. Diz que não abre mão, mesmo com todas as incertezas da pandemia.

— Mantive todos eles, mesmo tendo que fazer readequações no orçamento. Pago porque acredito que seja muito importante — destaca.

Para Teixeira, que já precisou usar ao longo de sua vida os seguros que possui, esse tipo de garantia se torna ainda mais relevante no momento atual.

— As pessoas só se dão conta dessa importância no momento de dificuldade, quando tu sofre um acidente, por exemplo. Quando teu imóvel sofre uma avaria, um arrombamento. Então, as vezes, esses valores diluídos se tornam pequenos diante da perda do bem — considera o comerciante.

Corretores a todo vapor

A corretora de seguros Fabiana Maiato de Sousa Nascimento já trabalhava em home office antes mesmo do início da pandemia. Aliás, uma prática comum na categoria. Diz que apenas teve que fazer uma readequação da sua corrida rotina diária.

– Eu ficava na parte da manhã fazendo o operacional (em casa) e à tarde fazia contato e visitas aos clientes. Quanto à demanda de trabalho, até aumentou pra mim. Porque com a questão do medo de reduzir faturamento, eu acabei fazendo mais contatos telefônicos e solicitei mais indicações. E o fato de não me deslocar até os clientes, fez com que eu tivesse mais tempo para fazer esses contatos – relata a corretora.

Segundo Fabiana, a taxa de renovações dos seguros de sua carteira de clientes está em 95%.

— Eu tenho focado bastante no seguro residencial, até porque as pessoas estão mais em casa e estão percebendo o quão importante é esse patrimônio. E também por conta dos vendavais que vêm acontecendo, esse seguro vem sendo mais aceito. Isso tem feito com que as pessoas fiquem mais preocupadas do que antigamente.

O diretor comercial da empresa Benefício Sul Corretora de Seguros, Maurício Junqueira, faz um alerta importante relacionado aos seguros de vida — a maioria exclui pandemias.

– Acreditamos que o mercado comece a oferecer opções de seguro que contemple essa garantia depois que a gente passar por essa experiência que estamos vivendo. Nossa sugestão é que todos os segurados se certifiquem, através de seu corretor, se o seu seguro está ou não dando cobertura para essa garantia.

O presidente do Sincor-RS, Ricardo Pansera, projeta mudanças no ramo quando tudo isso passar.

– O nosso desafio no mercado de seguros e dos corretores é ter essa visão futura para elaborar produtos que venham atender à necessidade dos riscos pós-pandemia que irão persistir nessa nova realidade.

Segundo Pansera, um dos fatores que contribuiu com o trabalho dos corretores durante a pandemia e, consequentemente com a renovação e manutenção de contratos, foi a facilitação de pagamentos pelas seguradoras.

— As seguradoras prorrogaram prazos de vencimentos das parcelas. E não excluíram a cobertura. Prorrogaram e sem a cobrança de juros – relata Pansera.

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