Notícias | 12 de maio de 2015 | Fonte: JCNET.COM.BR

Momento favorece confiança no setor de seguros

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MARCO ANOTNIOCom recessão econômica, segundo Marco Antonio Gonçalves, cresce a procura por garantias de proteção; pequenas empresas impulsionam atividade

Apesar dos cenário de recessão, alguns setores da economia conseguem manter bons resultados e até melhorá-los. É o caso, por exemplo, do ramo de seguros, que prevê expansão de até 12% em 2015. Uma das explicações para isso tem relação com peculiaridades do mercado, que ainda se depara com boas oportunidades para expansão, na contramão de outros ramos já sedimentados.

Contudo, o próprio momento de instabilidade na economia do País é propício para o desenvolvimento das atividades de seguro. A avaliação é compartilhada pelo diretor regional de Bauru do Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor-SP), Fernando Alvarez, e pelo especialista Marco Antonio Gonçalves, diretor-geral da Bradesco Seguros – uma das maiores do ramo no País –, ele esteve ontem na cidade e concedeu entrevista exclusiva ao JC.

Gonçalves explica que, na crise, pessoas e empresas tornam-se mais precavidas por ser ainda mais difícil a reposição de veículos e equipamentos danificados, recuperação de danos e até a cobertura de gastos com saúde.

Jornal da Cidade: A comercialização de seguros não está sendo afetada pelo mau momento atual da economia?
Marco Antonio Gonçalves: A atividade de seguros, obviamente, não está descolada do PIB. Mas, felizmente, ainda temos grandes oportunidades que outros setores em estágio mais maduro já não têm mais. O Brasil é a sétima economia do mundo, mas a décima terceira nação no nosso ramo. Só aí, já existe um gap de crescimento importante. Este é um ano complexo, para o qual a expectativa é de retração na economia. Prevemos, no entanto, alto crescimento do mercado de seguros, na linha de dois dígitos, como já vem acontecendo. A Confederação Nacional de Seguros estima que seja na ordem de 11% a 12%. Nossa companhia espera 15%. Existem ainda muitas oportunidades de negócios.

JC: Dá para dizer que o cenário atual ajuda o setor de seguros?
Marco: Em momentos de maior complexidade, fica evidenciada a necessidade de maior proteção. Temos os seguros que dão garantias de crédito por falecimento ou invalidez do financiado, por exemplo. Se antes era importante ter isso, hoje é ainda mais. Ter um bom seguro saúde, dental, do veículo torna-se essencial. Vem à tona, dessa forma, a equação sobre o que se tem de dinheiro e com o que se precisa gastas. As pessoas começam a escolher suas prioridades.

JC: A “cultura do seguro” já está enraizada no Brasil, a ponto de que esse tipo de investimento passe a ser considerado como prioritário pelas pessoas?
Marco: Essa cultura ainda não está impregnada nem tão consolidada como gostaríamos, mas evoluiu muito. A gente vê uma mudança significativa. Em uma década, a participação da atividade de seguros no PIB saltou de 1% para 6%. Trata-se de uma multiplicação importante, num período de crescimento da economia. O brasileiro passou a sentir a necessidade de seguro. Mas, como já disse, ainda há muito espaço para desenvolvimento do ramo.

JC: A inserção de milhões de pessoas no mercado consumidor, nos últimos 10 anos, ajudou?
Marco: A mobilidade social foi muito importante para o ramo, com novos entrantes na classe C. Antigamente, os seguros, como os de automóveis, estavam concentrado nas classes A e B. Nos últimos três anos, porém, 55% dos financiamentos de veículos foram contratados pela classe C. No entanto, para mantermos esses resultados, é fundamental que o Brasil sustente os níveis de emprego. A taxa de desemprego, hoje, ainda está em 6%. É claro que os números já foram melhores, mas ainda não foram afetadas de forma significativa.

JC: O foco do mercado de seguros continua sendo a classe C?
Marco: O maior gap que temos, atualmente, está nas pequenas e médias empresas. Elas já são 6 ou 7 milhões delas no País. Falando, por exemplo, do seguro patrimonial, que cobre contra danos físicos provocados por incêndio, alagamento, desmoronamento: se a empresa não tem, coloca sua segurança em xeque. Se não tiver seguro, é grande possibilidade de a empresa ter até suas atividades encerradas, pois as de pequeno porte não dispõem de capital de giro para se recuperarem. Nesse sentido, é um seguro que preserva também os empregos. Mesmo diante de tudo isso, menos de 10% das pequenas e médias empresas contratam esse tipo de seguro. Na classe C, ainda há também um grande mercado a ser explorado na área de benefícios, com seguros de vida e saúde. Já a previdência é muito procurada por autonômicos, que precisam garantir aposentadoria futura tranquila.

JC: O ramo dos automóveis é o mais consolidado?
Marco: É o mais difundido, mas ainda existem muitas oportunidades para vender mais seguros, principalmente para carros com mais de dois anos de uso. O mercado, inclusive, está se mobilizando para criar o seguro popular, assim que for aprovada a nova legislação que versa sobre peças usadas certificadas, que viabilização a compensação no preço para seguros em carros mais antigos. A expectativa é de que a nova lei seja aprovada pelo Congresso Nacional até o fim desse ano.

JC: Sobre os veículos, muita gente reclama do alto custo dos seguros, principalmente por, muitas vezes, não se beneficiarem deles de fato. Eles são realmente mais caros no Brasil?
Marco: O custo do seguro de automóvel, em particular, é mais elevado no mundo inteiro. Existe a indústria de reparação dos veículos. Se aqui a mão de obra e as peças são caras, imagine na Europa, onde são mais especializadas? Acho que se pratica um preço justo. O seguro segue princípio da mutualidade, no qual todo mundo paga, mas nem todo mundo usa. Caso todo mundo usasse, custaria muito mais.

Exposição itinerante

O Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo (Sincor-SP) inaugura, nesta quinta-feira (7), em Bauru, a exposição itinerante “O corretor de seguros através dos séculos”. A mostra, que percorrerá outros 30 municípios, poderá visitada até o dia 21 de maio, no Alameda Quality Center.

De acordo com o presidente da entidade, Alexandre Camillo, o objetivo é mostrar à sociedade o relevante papel da categoria no desenvolvimento da economia do País. “Por meio dessa exposição, pretendemos ressaltar também que o corretor de seguros vai muito além da venda de um produto ao atuar como assessor de seus clientes, orientando e simplificando um assunto complexo para muitos, porém imprescindível”, declara.

O conteúdo da exposição foi elaborado pela historiadora, especialista em arquivística e pesquisadora na área de patrimônio histórico, Ana Lucia Queiroz, pela produtora cultural e artista plástica, Marta Oliveira, e pela jornalista e fotógrafa Márcia Zoet, da Illumina Imagens e Memória.

“A escolha de Bauru para iniciar essa exposição não poderia ser mais oportuna. Nosso município encontra-se na região central do Estado de São Paulo e é polo de exportação de experiências que marcaram o mercado, por meio de corretores de seguros, que merecem ser reconhecidos com esse trabalho”, reforça o diretor da regional Bauru do Sincor-SP, Fernando Alvarez.

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