Notícias | 7 de outubro de 2005 | Fonte: The Wall Street Journal

Mais uma crise para as vítimas do Katrina

Por Evan Perez em Atlanta, Jeff D. Opdyke
em Baton Rouge e Valerie Bauerlain em Atlanta

Centenas de milhares de empresas e pessoas cujas vidas foram transformadas pelo Furacão Katrina agora enfrentam a possibilidade de um desastre financeiro. O dinheiro das empresas para pagar funcionários está acabando, os bancos estão voltando a ficar mais rigorosos com seus devedores ? a quem haviam permitido atrasar alguns pagamentos logo após o furacão ? e obstáculos burocráticos estão atrasando a chegada de dinheiro e empréstimos para as vítimas do desastre.

O crescente perigo financeiro representa uma segunda crise para as pessoas forçadas a abandonar suas casas e empresas quando o Katrina assolou a Louisiana e o Mississippi no fim de agosto. Enquanto os esforços de reconstrução se aceleram, levando inclusive autoridades de New Orleans e outras cidades da região a pedir que as pessoas voltem para casa, espera-se que as dificuldades financeiras causadas pela tempestade piorem.

Os pagamentos de seguro-desemprego na Louisiana aumentaram mais de quatro vezes, para US$ 87,7 milhões, no mês passado em relação a agosto, segundo a secretaria estadual de trabalho. Mais de 183.000 trabalhadores fizeram pedidos de seguro-desemprego na semana que terminou em 24 de setembro, ante 26.000 na semana anteior à chegada do Katrina. Autoridades estaduais esperam outro aumento à medida que as empresas que mantiveram os funcionários na folha de pagamento depois do furacão decidem que não podem mais continuar a pagar seus salários.

Alguns devedores também começaram a receber notificações de que têm apenas algumas semanas para pôr em dia suas parcelas de financiamento imobiliário que os credores permitiram ser atrasadas logo após a passagem do Katrina.

Alexis De Bram, um tradutor de 47 anos que possui dois prédios de apartamento em New Orleans, disse que o Washington Mutual Inc., maior banco americano de poupança e créditos, exigiu US$ 6.300 dele até 1o de novembro para cobrir três parcelas atrasadas, enquanto o Wells Fargo & Co. exigiu US$ 8.500. De Bram não está recebendo aluguel porque todos os seus inquilinos saíram da cidade.

`Vai ser difícil conseguir tanto dinheiro`, diz ele. Executivos dos dois bancos recusaram-se a comentar os financiamentos de De Bram, mas disseram estar dispostos a negociar com clientes caso a caso.

J. Robert Wooley, comissário de seguros de Louisiana, disse esperar `uma enxurrada de ligações` de residentes em dificuldades financeiras assim que a moratória que impede as seguradoras de cancelar os seguros de pessoas que atrasaram suas mensalidades acabar, no dia 30 de outubro.

Wooley não descartou a idéia de estender as proteções às pessoas, mas disse que autoridades do Estado `precisam levar em conta os interesses do consumidor mas (…) não podem levar à falência ou causar prejuízos ao setor no processo.`

O número de concordatas na Louisiana e no Mississippi, os dois Estados que mais sofreram com o Katrina, aumentou 24% na semana que terminou em 30 de setembro em relação à anterior, para 68.000, segundo Michael Staten, diretor do Centro de Pesquisas de Crédito da Universidade de Georgetown. Mas ainda não está claro quantas delas foram resultado do Katrina ou do Rita. Muito do aumento provavelmente reflete pessoas e empresas em busca de proteção contra credores antes que a nova lei de concordata dos EUA, mais rígida, entre em vigor, em 17 de outubro.

A Agência Federal de Administração de Emergências dos EUA (Fema, na sigla em inglês), estima ter pago mais de US$ 3,1 bilhões até agora para cerca de 1 milhão de famílias afetadas pelos furacões. Prevê-se um aumento desse número. Algumas vítimas também já receberam ajuda financeira da Cruz Vermelha e de outras organizações. Mas o pagamento médio de US$ 3.100 da Fema provavelmente não será suficiente para salvar algumas pessoas do colapso financeiro.

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