Inflação e seguros

23/07/2015 / FONTE: Tudo Sobre Seguros


Com a inflação perto de 9% nos últimos 12 meses, é interessante examinar alguns preços que afetam mais intensamente o mercado segurador.

Entre janeiro de 2012 e maio de 2015, a inflação do IPCA foi de 25,7%. Esta taxa representa a elevação média de preços na economia brasileira e é calculada a partir de preços de bens e serviços representativos do consumo das famílias com rendimentos mensais entre um e quarenta salários-mínimos e residentes nas áreas urbanas.

Isto significa que alguns preços aumentaram acima da média, pressionando a inflação do IPCA para cima, enquanto outros evoluíram abaixo da média, pressionando a inflação para baixo.

Como mostra a tabela, entre 2012 e 2015, dentre os que pressionaram a inflação para cima estão os itens “aluguel e taxas”, “reparos” e “consertos e manutenção” com altas respectivas de 32,4%, 30,8% e 29,1%. O primeiro é importante para o seguro de fiança locatícia e pode explicar o encarecimento desse produto. Os outros influenciam o custo dos serviços de assistência que integram as coberturas dos seguros multirriscos residenciais, condominiais e empresariais.

No caso de transporte, é evidente o crescimento moderado de diversos preços relacionados aos veículos próprios entre 2012 e 2015: os preços dos veículos novos subiram apenas 7,24%, o mesmo ocorrendo com acessórios e peças (16,8%). Daí que os prêmios dos seguros facultativos de automóveis tenham se elevado apenas 7,5% nesse período, apesar do acréscimo de 29,1% nos preços de consertos e manutenção, itens importantes para as indenizações de danos por colisão.

Os preços relacionados à saúde e cuidados pessoais afetam os seguros e planos de saúde e estes, parcela crescente da população em busca de melhores opções de atendimento que o SUS.

Vemos, pela tabela, que tais seguros e planos de saúde tiveram, em média, alta de 33,3% entre 2012 e 2015, logo, acima da inflação da economia. Porém, a tabela indica que tal alta está mais correlacionada com o aumento dos preços dos serviços médicos e dentários do que com a alta dos preços de medicamentos, exames e serviços hospitalares.

De fato, conforme o IBGE, entre 2012 e 2015, a inflação de serviços médicos e odontológicos foi de 42,8% e 35,1%, respectivamente, percentuais superiores à alta dos preços de produtos farmacêuticos (20,5%), produtos óticos (17,4%), exame de laboratório (16,9%), exame de imagem (27,3%), hospital e cirurgia (26,4%) e também da remuneração dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada (24,4%).

Importante notar que as variações de preços de planos de saúde são afetadas também por outros fatores além dos preços de consultas e materiais como, por exemplo, o aumento da frequência de uso dos recursos médicos pelos associados dos planos, desperdícios e desvios na cadeia produtiva do setor, incorporação de novas e caras tecnologias e regulações governamentais.

A evolução dos rendimentos do trabalho afeta toda a economia e, portanto, é também fator relevante para o mercado de seguros. A tabela mostra a evolução dessa variável entre 2012 e 2015. Segundo o IBGE, os rendimentos dos trabalhadores do setor privado sem carteira assinada subiram 41,2% e os dos trabalhadores por conta própria, 33,7%, portanto, muito acima da inflação e em contraste com a alta dos rendimentos dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada, de 24,4%, ligeiramente inferior ao acréscimo do IPCA.

Junto com o aumento no volume do emprego, isto ajuda a explicar elevação de 36% das despesas administrativas anuais das seguradoras reguladas pela Susep entre 2012 e 2014. Na medida em que contratam trabalhadores assalariados e não assalariados, a forte alta dos rendimentos desses últimos, referida acima, não poderia deixar de se refletir nos balanços das seguradoras. O mercado segurador, entretanto, tem conseguido manter sua rentabilidade por meio de ajustes nos prêmios, com base na sinistralidade, e pelo forte acréscimo das receitas financeiras obtido pela aplicação de suas provisões no mercado de capitais.

Para os próximos meses, tendo em vista que a economia continua em processo recessivo, é possível projetar aumentos mais brandos de salários e preços de serviços e, portanto, menos pressão desses itens nos reajustes de prêmios de seguros, particularmente, nos ramos elementares e dos planos e seguros de saúde.

Leia mais em: http://www.tudosobreseguros.org.br/sws/portal/pagina.php?l=754&c=1368

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