Economistas discutem o cenário econômico mundial durante Expo Cist

29/11/2019 / FONTE: CQCS

EXPOCIST

Nesta quarta, dia 27, aconteceu em São Paulo, a sétima edição da Expo Cist. O evento é organizado pelo Clube Internacional de Seguros de Transportes. O presidente da entidade, Salvatore Lombardi, apontou a importância da capacitação de todos os players envolvidos na área de transporte, destacando que esta é uma bandeira defendida pelo CIST.

“O CIST reúne profissionais de toda a cadeia logística de riscos de transporte e a nossa bandeira é a capacitação”. Ele também comentou que a cada edição do simpósio cresce o número de participantes. “A cada ano, ele tem se consolidado como o mais importante evento de seguro de transporte, não só do Brasil, mas da América Latina”.

Na parte da manhã o assunto foi cenário econômico. Luiz Rabi, economista-chefe da Serasa Experian e Adalto Lima, economista-chefe da Western Asset no Brasil, foram os palestrantes no painel “Economia – Cenário Nacional e Internacional e Internacional e perspectivas para o mercado de seguros”. Ambos mostraram que tanto a economia como o comércio mundial têm apresentado uma desaceleração.

“Hoje, o crescimento das economias globais de, em média 3,5%, passa a ser o padrão. Isto já acontecia nos países desenvolvidos e agora está acontecendo nos emergentes. Isso se dá pela mudança demográfica, os países estão envelhecendo, as taxas de crescimento da população estão reduzindo e até ficando negativas. Também está havendo um crescimento muito menor da produtividade, as taxas estão cada vez mais baixas nos países desenvolvidos e com menos investimentos”, analisou Lima.

Luiz Rabi comentou que este foi o ano com o menor crescimento do comércio internacional, menos de 1%, sendo de 0,4% nos países desenvolvidos e de 0,2%, nos emergentes. “Estamos passando por um processo de desaceleração do comércio internacional. O baixo dinamismo do comércio internacional é resultado do baixo crescimento da economia mundial”.

Adauto Lima, economista da Wester Asset, fez uma análise da economia a longo prazo. Segundo ele, o crescimento global não deve voltar a crescer como na primeira década do ano 2000. “O crescimento de 3% ao ano global passará a ser o padrão”, disse ele.

O economista alertou que a mudança demográfica é um fator importante que precisa ser considerado já que o crescimento populacional está cada vez menor e a população está ficando mais velha. “Essa transição demográfica também acontece nos países emergentes como China e Brasil que tem crescimento populacional de 0,8%”, ressaltou.

Ele analisou ainda que o Brasil tem que crescer em um mundo que cresce menos e o país sempre cresceu menos. “Depois da década de 30 o Brasil teve poucos momentos de crescimento maior que a média mundial”, analisou. Na década de 2 mil, o país cresceu fortemente e, segundo o economista, isso aconteceu porque o país foi favorecido pelo crescimento populacional. “Foi um crescimento focado em uso do capital e um processo de integração global”, disse.

Lima lembrou ainda que o Brasil sempre teve produtividade baixa em relação aos Estados Unidos. “Nos anos 2 mil nossa produtividade não subiu e, a partir de 2011, é clara a tendência de queda da produtividade. O que levou a isso? A heterodoxia trouxe consequências danosas”. Ele ressaltou que o país teve programas que tiveram pouco retorno ou foram negativos, “Deslocamos capital financeiro para projetos que não tiveram retorno. O Fies, programa de financiamento educacional, tem alto índice de inadimplência com baixo retorno de qualidade de ensino e formação de bons profissionais. O Brasil investiu mal e a consequência são os baixos índices de produtividade”, analisou.

Ele disse que para crescer 2,5% passa por seguir agendas macro e microeconômicas. Ele ressaltou que o Brasil precisa de reformas que ajudem a aumentar a produtividade da economia, ter uma agenda “doing business”, reduzir riscos regulatórios,  proporcionar aumento do retorno nos investimentos, regras ambientais, reduzir o risco ambiental para novos investimentos, reduzir o tempo para se obter liberações ambientais e deixar claro para os investidores estrangeiros que há uma regra.

Para ter um ambiente favorável para o crescimento econômico, Rabi expôs que três “doenças” precisam ser curadas no país: “Precisamos ter um setor externo razoavelmente equilibrado, uma inflação baixa e contas fiscais mais ou menos em ordem. Os fatores positivos são a baixa inflação e a Reforma da Previdência, colocando ordem nas contas fiscais, o que permite a redução de taxa de juros”.

Por fim, o economista-chefe especificou que o novo ciclo de crescimento para o país está muito baseado no crédito e no consumo. “Em um segundo momento virão os investimentos e a produção. O comércio internacional responderá em um terceiro momento”.

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