Notícias | 25 de julho de 2003 | Fonte: Jornal do Commercio

Corretor diz que seguradoras limitam a oferta de produtos

Os seguradores em geral têm o hábito de afirmar que ao corretor interessa operar basicamente com o seguro de automóvel, impulsionado pela vantajosa comissão que o ramo proporciona em cada venda realizada, remuneração que o leva a desprezar as outras opções de negócios disponíveis no mercado, como os planos de vida e de previdência privada, porque o ganho unitário é menos atrativo, embora compensador se houver produtividade.
Presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros de Santa Catarina (Sincor-SC), Cláudio Simão diz que pesquisa realizada pela entidade mostra que o comportamento do corretor não é bem esse e conclui que são as seguradoras, estas sim, as mais interessadas na centralização das vendas no seguro de veículos, política que as levam a abandonar ou a desaperceber outros promissores nichos de mercado.
A pesquisa ouviu 700 corretores de seguros catarinenses e em seu documento final destaca que as seguradoras sempre solicitam um mix de produção, mas que, na verdade, no dia-a-dia, falta ao trabalho da corretagem de seguros opções de produtos adequados ao mercado.
Mercado tem carência no ramo de reponsabilidade
Cláudio Simão sustenta que a solução não é complicada:
– O nosso documento assinala que a criação de produtos pode ser viabilizada pelo próprio corretor, já que ele possui contato direto com o consumidor e conhece suas necessidades. E estas necessidades, consideradas regionais, poderiam ser assumidas da mesma forma como as referências nacionais.
A inadequação de produtos apontada na pesquisa não está necessariamente no ramo vida ou na previdência complementar. Cláudio Simão diz que a oferta é falha nos seguros de residência de veraneio, responsabilidade civil de eventos, responsabilidade civil profissional e franquias, entre outros casos detectados na pesquisa.
Outra preocupação dos corretores, segundo ele, é com a escassez de técnicos qualificados nas seguradoras. Nesse sentido, o documento adverte que as empresas precisam de um corpo técnico “capaz de dimensionar as necessidades de produtos regionais,
Massificação esbarra na falta de divulgação
Para o diretor do segmento de pessoas físicas da corretora Alexander Forbes, João Carlos Nogueira, o mercado de seguros é carente de divulgação, o que é um obstáculo à venda. Falta ao consumidor brasileiro, segundo ele, informação sobre um leque variado de produtos, que são de baixo custo pela proteção e o benefício que oferecem.
Nessa linha estão os seguros de acidentes, que, embora tenham larga aceitação no exterior, apresentam baixo consumo no Brasil. E não é pelo preço, já que existe cobertura com capital segurado em torno de R$ 50 mil que custa no mercado, em média, R$ 10 mensais, o equivalente a módicos desembolsos diários de R$ 0,33.
Perda de renda
João Carlos sustenta que há outros tipos de coberturas em situação idêntica, ou seja, a comercialização não consegue deslanchar em larga escala. E inclui na lista o seguro de perda de renda, que é completamente ignorado pelos profissionais liberais no Brasil, ao contrário do que ocorre em vários outros países, onde é bastante procurado.
Nesse caso, João Carlos avalia que o preço médio mensal do produto gira em torno de R$ 50, para um capital segurado de R$ 100 por dia de incapacidade temporária, normalmente até o limite de 120 dias.
Ele reitera que, além dos seguros de veículo e de vida, mais conhecidos do público, há produtos importantes e que custam pouco pela amparo que oferecem. E que, da mesma forma, esbarram na venda. “Na verdade, são muitos os seguros destinados a proteger as pessoas e seus patrimônios, mas por falta de maior divulgação e conhecimento dos clientes acabam não sendo contratados”, lamenta João Carlos, incluindo nessa listagem o seguro de residência e o de viagens nacionais.

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