Notícias | 13 de setembro de 2005 | Fonte: Gazeta Mercantil

Começa com aumento de preço a temporada de negociações

Uma parada no ciclo de queda de preço do seguro. Essa é a principal tendência da etapa de negociação dos principais contratos de seguros do Brasil e no mundo, que tem início em setembro, no Brasil e no exterior. Aqui, os principais executivos se reúnem por três dias no evento promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de Riscos (ABGR), que agrupa os 300 principais segurados do País, no Hotel WTC Meliá, em São Paulo.

Já os principais clientes de seguros do mundo se reúnem na cidade alemã de Baden-Baden para renegociar seus contratos milionários. Recorrem ao argumento da retomada de projetos de criação de seguradoras cativas para brecar os aumentos de preços que resseguradores já anteciparam, em razão das perdas com o Katrina e acidentes aéreos. A perda não se limita ao pagamento dos prejuízos, que com o furacão já chegam a US$ 60 bilhões, mas também à desvalorização das ações das companhias.

No Brasil, a abertura do mercado de resseguros continua a dominar o debate. Todos os participantes da sessão que abriu o seminário disseram que foi um grande passo a flexibilização dada a riscos facultativos pelo IRB Brasil Re, único ressegurador autorizado a operar no País enquanto o projeto de lei complementar não é votado pelo Congresso. “Mas é pouco. Precisamos da abertura”, afirmou Jorge Luzzi, presidente da ABGR, que participou do painel “Análise de crises no Brasil e no Exterior: uma visão do futuro do mercado securitário”. Segundo ele, a ABGR tem constantemente se reunido com representantes do mercado para impulsionar a tramitação no Congresso. “O projeto precisa ser discutido, principalmente porque necessita de mudanças. Governo e IRB já vêem a abertura como necessidade e isso é um bom começo. A nova diretoria tem contribuído bastante para os negócios, mas ainda falta muito para chegarmos aos padrões de primeiro mundo”, disse.

Um exemplo de distorção, citado por Luzzi, é a demora na cotação de preço. “Enquanto o mundo trabalha com 90% dos contratos de seguros negociados de forma individual e facultativa e apenas 10% com taxas e coberturas pré-definidas, os chamados automáticos, no Brasil esses percentuais se invertem; isto faz a emissão de uma apólice demorar até seis meses em razão de a resposta de uma cotação de seguro levar até três meses para retornar do IRB ao cliente”, explicou Luzzi, com a concordância de outros dois participantes do painel, Jacques Bergman, da Itaú Seguros, e Eugênio Pascoal, presidente da Willis, terceira maior corretora de seguros do mundo.

Os executivos admitem que dificilmente o IRB irá autorizar que as seguradoras negociem contratos automáticos em grande escala por uma simples razão: as quatro maiores seguradoras juntas teriam uma capacidade de reter riscos maior do que a do IRB. “Por isso, insistimos na retomada do assunto no Congresso”, acrescentou Luzzi. Além desse tipo de problema, Luzzi citou o excesso de regulamentações que engessam o setor.

Para esta temporada de negociações dos principais contratos de seguro, os executivos acreditam que a principal alteração será a transparência, tanto pelas mudanças promovidas no IRB como pelo efeito Eliot Sptizer, o procurador de Nova York que desencadeou uma série de investigações em várias corretoras de seguro e seguradoras. “As grandes empresas conseguem ter transparência porque têm poder de fogo para exigir, mas as médias ainda sofrem”, alegou Luzzi.

Em relação a preço, os executivos foram unânimes em afirmar que haverá uma parada no ciclo de queda de taxas e ampliação de coberturas. “Já foi sinalizado pelo mercado internacional que as empresas petrolíferas terão um reajuste próximo a 50%, bem como as apólices de catástrofes também sofreram um reajuste”, comentou o executivo da Willis. “Todos os setores deverão ter alta de preço como uma forma de as companhias recomporem suas perdas com as catástrofes”, disse Bergman, da Itaú.

Mas, no que depender da competição do mercado interno, os clientes conseguirão boas negociações se souberem argumentar com seus corretores. A disputa entre corretores e também seguradoras por riscos industriais está muito acirrada. As grandes empresas têm um universo de clientes potenciais: os funcionários. Um nicho disputado para a compra de seguros e produtos bancários, cujo custo administrativo de cobrança e de risco é infinitamente menor do que clientes captados individualmente. Segundo o presidente da Willis, está havendo uma grande troca de contas entre as corretoras e seguradoras. “E isso sempre traz ganhos para os clientes”.

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