Notícias | 25 de outubro de 2005 | Fonte: Segs.com.br

A postura dos bancos: De repente, acontece o inesperado, o inevitável…

Você compra tudo, recebe seu talonário de cheques, seu limite é constantemente alterado para maiores valores, recebe cartão de crédito com limite invejável, sempre sendo muito bem tratado pelo seu gerente de contas que procura atendê-lo da melhor maneira possível, oferecendo todos os produtos comercializados pelo banco (seguro de vida, de veículos, residencial, previdência privada, conta poupança, etc…). Enfim, tudo às mil maravilhas com todas as reciprocidades.

De repente, acontece o inesperado, o inevitável: – um negócio mal elaborado, problemas de saúde ou com a família, falta de recebimento de clientes, perda do emprego, desfalques no caixa da empresa… E ai você passa a dever ao banco, seja qual for o motivo e o gerente do banco passa a não ser tão atencioso como era antes e, muito contrário, ele dá início às pressões psicológicas, que vão crescendo diariamente. Tudo começa assim: – enquanto você for efetuando depósitos para amortização da dívida, à qual são acrescidos juros absurdos e correções impagáveis, o relacionamento com o banco continua a ser mais ou menos, porém, se você não consegue amortizar o valor devido, tudo se modifica…

Ao passar o tempo, vem a proposta para que seja renovado o seu contrato, normalmente, os gerentes oferecem a opção de elaborar um novo contrato e, muitas vezes, tentam desdobrar suas dívidas em vários contratos. Propõem fazer contratos para dividir as dívidas: um em seu nome, outro em nome de sua esposa, de seu sócio, ou no nome de sua empresa, enfim, envolvendo o maior número de pessoas possíveis em função daquele débito. Não aceite jamais esse tipo de proposta. É uma estratégia que eles utilizam freqüentemente, levando, via de regra, os que aceitam ao desespero, a imprevisíveis conflitos.

Geralmente os contratos possuem uma grande “mascaração”, que é praticada pelo sistema financeiro. A ansiedade no dia da abertura de uma conta corrente com limite de crédito (cheque especial) leva os clientes a terem um dissabor no futuro. Ocorre um verdadeiro abuso, porque os índices não estão definidos e os valores são deixados em branco e sem os dados fundamentais. Além dessa ilegalidade, a cópia do contrato, na maioria dos casos, não é fornecida ao cliente. Conheço diversas situações em que os clientes, sem informações sobre o assunto, ou até mesmo sendo ludibriados por informações imprecisas, dão como garantia uma Nota Promissória em branco com vencimento à vista, sem valores expressos e assinada de próprio punho, trazendo enormes transtornos e perturbações futuras. Esse é o grande risco em aceitar assinar contratos em branco ou fazer acordos sob pressões.

Infelizmente essa é a realidade do Brasil: muitos ganham pouco e poucos ganham muito. De qualquer forma, se houver a necessidade de iniciar uma batalha judicial, a tendência é você obter pareceres favoráveis, obtendo acordo com juros legais e não juros especulativos utilizados e impostos pela instituição financeira. Boa sorte e sucesso, e não esqueça de correr dos bancos, você poderá ser a próxima vítima das altas taxas de juros, tarifas autorizadas pelo Sistema Financeiro Nacional.

* Cláudio Boriola – Consultor Financeiro, palestrante, especialísta em economia doméstica e direitos do consumidor. Autor do livro Paz, Saúde e Crédito e do Projeto Educação Financeira nas Escolas. [email protected] – www.boriola.com.br

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