Contratar Seguro?

21/11/2018 / FONTE: Sergio Ricardo de M Souza


Por Sergio Ricardo de M Souza, MBA, M.Sc.

Eu tenho um amigo que sempre me diz que o nível máximo da ignorância humana é adquirir um automóvel. O automóvel, segundo ele, auxilia a infelicidade moderna, porque as pessoas deixam de conviver umas com as outras, isolando-se na solidão de seus engarrafamentos e à mercê dos trombadinhas.

Além disso, enfatiza, que adquirir um automóvel é fazer uma enorme sandice financeira, onde se faz um investimento em que o retorno é praticamente nenhum, considerando que além de se ter que pagar prestações carregadas de juros, ainda há os custos com licenciamento, manutenção, combustível e seguro, sem contar o risco de causar danos a terceiros. Segundo esse amigo, para os que trabalham e para isso precisam de um veículo ainda há uma justificativa, assim como para os que viajam com frequência, mas nos casos em que se têm um automóvel para usos eventuais nada justifica tais investimentos e despesas, salvo se o acesso a outros meios de transportes não estiverem disponíveis.

Tenho um caso concreto:

  • Uma pessoa adquiriu uma automóvel popular em 48 parcelas mensais de R$ 980,00;
  • Gasta quase que R$ 500,00 de combustível por mês;
  • O estacionamento mensal custa R$ 200,00 e mais uma “cafezinho” de R$ 80,00 para manter o automóvel lavado;
  • Mais cerca de R$ 300,00 para fazer frente as parcelas do seguro;
  • Não está nesta conta o pagamento de franquia por uma eventual colisão ou mesmo os custos de manutenção, porque o automóvel é novo e está na garantia, mas não se pode esquecer do custo com a revisão.
Assim poderíamos dizer que quem quer rodar por aí de automóvel tem que ter em mente que isso custa cerca de R$ 2.100,00 por mês, ou seja, mais que o dobro do que se gasta com a prestação do financiamento.

Vale a pena? Depende, obviamente, do uso e das demais opções que se tenha. Sei que pior ainda é adquirir um automóvel e não contratar seguro, sob risco de perder o investimento inicial e ainda ter que pagar as parcelas do financiamento ou mesmo se vir obrigado a pagar os danos causados a terceiros, em caso de colisão.

Vejam o caso do Renailton Alves, que saiu com seu carro novo, mas sem seguro, na tarde da última quarta-feira (iria fazer o seguro no dia seguinte) e acabou caindo com o carro no viaduto que cedeu na Marginal Pinheiros. Ele ficou mais de sete horas esperando na Marginal Pinheiros a chegada da perícia. O carro perdeu os faróis, o motor foi muito danificado e a suspensão também. O veículo foi levado de guincho para uma oficina.

Por enquanto a esperança é que a “viúva” (como diria João Saldanha) arque com os prejuízos, mas não se sabe quanto, com que nível de burocracia e quando isso vai acontecer, sem contar as prestações do financiamento que vão continuar chegando, tenha ele o automóvel para usar ou não.

Fico pensando que o nosso caro Renilton não tinha um corretor de seguros “chato” para impedir que ele fizesse besteira ou achava que acidentes só acontecem com os outros. Duvido que agora não seja no seguro que ele vai pensar quando conseguir comprar outro carro.

Sergio Ricardo de M Souza.

Executivo dos Mercado de Seguros com mais de 20 anos de experiência. Mestre em Sistemas de Gestão – UFF/MSG, MBA em Sistemas de Gestão – GQT – UFF. Engenheiro Mecânico – UGF. Membro da ANSP – Academia Nacional de Seguros e Previdência e ex-Diretor do CVG – Clube Vida em Grupo RJ. Fundador do Grupo Seguros – Linkedin. Associado da ABGP, PMI, PRMIA, IARCP. Colunista da Revista Venda Mais e do Portal CQCS. Coordenador de Pós-Graduação e Professor dos programas de Pós-Graduação do IBMEC, UFF, ENS, FGV, FUNCEFET, IPETEC UCP, UVA, CEPERJ, ECEMAR, ESTÁCIO DE SÁ, TREVISAN, IBP, CBV. Sócio-Diretor da Gravitas AP – Consultoria e Treinamento, especializada em gerenciamento de riscos, seguros e resseguro. e-mail: sricardo@gravitas-ap.com

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