AS ARMADILHAS DO CRÉDITO FÁCIL E DO ENDIVIDAMENTO – COMO FAZER PARA SAIR DO VERMELHO

13/01/2015 / FONTE: Sergio Ricardo de Magalhães Souza


Estimativas recentes do Banco Central mostram que quase 80 milhões de brasileiros estão endividados. Isso acontece porque as pessoas acabam entrando na armadilha do crédito fácil, pensando que podem pagar pequenas prestações por um longo prazo, o que não é verdade.

Não há como falar em crescimento e realizações sem antes resolver as pendências financeiras. Para pequenos e médios empresários, a pessoa jurídica sempre depende do que está acontecendo com a pessoa física, que pode estar em maus lençóis, por conta do descontrole na gestão das finanças pessoais.

O grande vilão do processo de endividamento não está em comprar em si, mas em não ter dinheiro para fazê-lo à vista, não saber negociar e cair na armadilha do crédito, por meio de financiamentos das próprias lojas (os famosos “carnezinhos”), dos cartões de afinidade de lojas de departamento, do cheque especial e dos cartões de crédito.

Você está no vermelho? Quer sair desta situação? Eis algumas dicas úteis:

1. Evite comprar quando não tem dinheiro para pagar a vista;

2. Não há bonzinhos quando se lida com dinheiro. Proteja o seu e dificulte ao máximo deixar de utilizá-lo com prudência;

3. Não acredite nas propagandas de parcelas sem juros. O juros está embutido;

4. Você realmente precisa comprar? Deixe de comprar e veja o que acontece. Na maioria das vezes nossos desejam mudam e até esquecemos coisas que queríamos muito comprar;

5. A primeira coisa a fazer é parar de comprar supérfluos. Isso vale para toda a sua família e você tem que colocar todos no mesmo compromisso. As pessoas devem compreender que há momentos em que a união familiar se faz necessária e que sem a colaboração de todos não se vai a lugar nenhum. Troque, por exemplo, compras por lazer;

6. Lembre-se: ninguém morre se não ganhar presentes e se vierem a morrer, enterre-os. Creio que você me entendeu;

7. Corte as despesas ruins. Todas elas. Inicie pelo combate aos desperdícios de energia, água e telefone. Isso me faz lembrar que uma das piores despesas que fazemos chama-se telefone celular, ainda mais os pré-pagos, que tem as maiores tarifas para ligações entre operadoras diferentes. A regra é ser inteligente, trocando, por exemplo, os torpedos pagos por mensagens em aplicativos gratuitos, por ter telefones de 3 ou 4 chips, anotando na agenda qual a operadora dos seus contatos(por exemplo: Maria Oi, José TIM, Roberta VIVO etc.), para que se possa ligar sem ônus;

8. Outra coisa sobre os telefones celulares é prestar muita atenção nos programas de fidelidade. Boa parte deles são enganosos e não há nenhuma vantagem;

9. Outra despesa que você já deveria ter cortado é a TV por assinatura ou, pelo menos, deveria reduzir o seu plano. Você realmente precisa daquela quantidade de canais?

10. Cheque especial é uma opção de crédito caro que só deve ser usado em emergências. Livre-se dele como parte de seu orçamento mensal. Vai ser difícil, mas com planejamento você pode conseguir. Vá ao seu gerente e negocie a melhor forma de pagar o seu cheque especial e quando o fizer reduza-o imediatamente a patamares mínimos;

11. Os cartões de crédito são meios de pagamento. Livrar-se deles é importante. Para começar, quebre imediatamente todos os cartões fidelidade de lojas de departamento. Você não precisa deles, porque não vai a essas lojas todos os meses e invariavelmente significa comprar supérfluos, como por exemplo, roupas que nem vai usar;

12. Quebre todos os seus cartões de crédito! Essa é difícil! Fique apenas com um de cada bandeira (VISA, MASTER, ELO etc) e preferencialmente não ande com eles. Ao invés disso coloque uma nota de R$ 50,00 na sua carteira e deixe-a lá para qualquer emergência. Use os cartões de débito. Quando for cartão múltiplo esqueça que há a função crédito;

13. Procure ter cartões de crédito sem anuidade e que não estejam atrelados a sua conta corrente, para que você possa negociar, caso precise, sem a pressão de outras dívidas na mesma instituição;

14. Nem pense, neste momento, em cartões de crédito atrelados a programas de milhagem. A prioridade é economizar e não gastar. Deixe isso mais para a frente;

15. A boa notícia é que você pode fazer tudo o que está acima, bastando para isso vencer a inércia e não ter receio de negociar com gerentes de bancos e credores. Mais importante ainda é fazer com que as pessoas da sua família de conscientizem que é necessário fazer de tudo para sair do vermelho;

16. O dia é hoje e o momento, agora.

Para começar a virar a mesa, gosto muito de um método muito simples que deve ser iniciado na primeira semana do ano novo, mesmo que você esteja endividado. Significa depositar, inicialmente em uma caixinha, R$ 1,00. Na segunda semana deposita-se R$ 2,00. Na terceira semana, R$ 3,00. Na quarta semana, R$ 4,00. Neste momento, ao verificar a caixinha, já estarão depositados R$ 10,00. Com este dinheiro se deve ir a um banco e abrir uma caderneta de poupança, que é um investimento seguro e remunerado com pelo menos 0,5% ao mês, mais TR. Na quinta semana, os R$ 5.00 devem ser depositados na caderneta de poupança e assim sucessivamente, até a 50º semana do ano, quando o depósito deve ser de R$ 50,00.

A soma os depósitos sem capitalização de juros resultaria em um montante de R$ 1.275,00, mas pela primeira vez, fazendo os juros compostos trabalharem ao seu favor, aproximadamente em 15 de dezembro a conta poupança vai produzir um saldo bem mais atraente. Vai parecer quase um milagre para quem começou com apenas R$ 1,00 e um pouco de determinação.

Se quiser fazer com as crianças coloque apenas R$ 0,10 em um cofrinho na primeira semana e siga o método. Serão R$ 127,50 acumulados, sem capitalização de juros da poupança. Mesmo assim significa um belíssimo presente de Natal.

Uma dica a mais. Se você é daquelas pessoas que tem compulsão por comprar, faça o seguinte: pegue R$ 20,00 e entre em uma dessas lojas de R$ 1,99. Você vai comprar, provavelmente, um monte de coisas que não servem para quase nada (por vezes até se encontra alguma utilidade), mas isso deve dar vazão ao vício de comprar, sem abalar as suas finanças.

Mãos à obra. Anime-se!

Sergio Ricardo de Magalhães Souza

Mestre em Sistemas de Gestão – UFF/MSG, MBA em Sistemas de Gestão – UFF, Mestre em Engenharia Mecânica, COPPE-UFRJ. Engenheiro Mecânico – IME/UGF. Doutorando em Engenharia de Produção na UFF. Membro da ANSP – Academia Nacional de Seguros e Previdência e do CVG – Clube de Vida em Grupo RJ. Fundador do Grupo Seguros – Linkedin. Membro da ABGP – Academia Brasileira de Gestão de Projetos e do PMI – Project Management Institute. Fellow at The Professional Risk Managers’ International Association (PRMIA) – International Association of Risk and Compliance Professionals (IARCP). Membro do NFPA – National Fire Protection Association. Membro da UBQ – União Brasileira da Qualidade – RJ. Colunista da Revista Venda Mais e do Portal CQCS. Coordenador Acadêmico do MBA em Gerência de Riscos – UFF/ESNS. Coordenador Acadêmico do MBA Executivo em Seguros e Resseguro da ESNS. Coordenador Acadêmico do MBA Gerência de Riscos da ESNS. Coordenador Acadêmico do MBA Gestão de Performance – FUNCEFET, Ex-coordenador do MBA Seguros Gestão Estratégica – UVA. Professor dos programas de Pós-Graduação da ESNS, UFF, FGV, IBMEC, FUNCEFET, IPETEC, UVA, CEPERJ, ECEMAR, ESTÁCIO D SÁ, TREVISAN, IBP – Instituto Brasileiro do Petróleo, CBV – Confederação Brasileira de Voleibol. Executivo do Mercado de Seguros com mais de 20 anos de experiência. Sócio-Diretor da Gravitas AP – Consultoria e Treinamento. e-mail: sricardo@bol.com.br

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